08 dezembro 2008

O meu reflexo

Há tanto tempo que penso em cá vir para vos dar umas palavrinhas, mas nem me tem apetecido abrir o computador. Dizer-vos toda a verdade seria fastidioso e não foi para isso que este blogue foi feito. Mentir-vos seria ir contra os meus princípios, e esses ainda não os alterei. Não posso dizer-vos tudo o que me vai na alma, mas a grande verdade, a essencial, é que ando em busca de mim mesma. Ainda não me encontrei.
O grande dilema existencial tem sido: quem é esta Anete com que me defronto?
Sinto que tenho de encontrar este caminho a solo, ir desenterrar ou inventar a Anete que existirá para além daquela que sempre viveu para alguém. A Anete só. Aquela que pensa, principalmente, em si. Tenho lutado contra o meu íntimo, que me responde que nunca saberei viver só por mim e para mim. Quero, tenho de aprender!
Por incrível que pareça, aquilo que mais temia, que era o medo de viver sozinha nesta casa, não me tem assolado.
Assola-me é o vazio, o silêncio, a falta de alguém a quem me dar, em quem acreditar. Mas a verdade é que, neste momento, não me quero dar. Pura e simplesmente, porque deixei de acreditar.
Sinto-me como se me tivessem tirado a alma. A que eu tinha. Porque, se ainda existo, tenho alma. É essa que busco. Só me poderei dar novamente quando descobrir quem é esta Anete. A que ficou, limpa de cenários enganadores, de falsas esperanças e crenças. Quem sou eu? Serei melhor do que aquela que fui?
É tudo isto que o meu jardim reflecte. Reconhecem estes cenários? Pois bem. Nunca estariam deste jeito nas mãos da Anete que vocês conheciam. Expressam o que me vai na alma e no corpo.
O que mais me espanta é como, mesmo durante este abandono, parte do jardim continua vivo. Escondidos nas ervas daninhas da foto em que se vê a cadeira branca e a mesa, pode ver-se o jarro que o João me deu. Continua bem vivo, a chamar-me todos os dias. Quero ver se esta semana arranjo esta parte. A ver vamos.
Há dias, perante essa luta da Natureza para não se deixar morrer, enchi-me de forças e vontade e limpei uma parte dos vários recantos do jardim leste e cortei trepadeiras que ameaçavam cobrir os canteiros do lado do portão. Falta ainda muito, mas há-de ir aos poucos.
Tocou-me fundo ver todos os vossos comentários, mas, confesso: foi preciso levar hoje um raspanete do João, para lá me decidir a abrir o computador. Obrigada, João. Obrigada a todos.

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5 Comments:

Blogger FUMADOR said...

Bonito blog passe tb pelo meu.

8/12/08 23:49  
Blogger NELIO said...

ANETE,A VIDA É FEITA DE PEQUENOS PASSOS,VEJO UM BRILHOZINHO DE NOVO NO JARDIM....

9/12/08 01:44  
Blogger anete joaquim said...

Pois é. A Natureza anda a chamar-me para lá! Dá-me dó ver o abandono em que deixei o jardim e tenho que recuperá-lo. bjs

9/12/08 10:52  
Blogger Cris Bolbosa said...

Anete, sabes que vamos mudando ao longo da vida com as coisas boas e más que nos vão sucedendo. por mais que queiramos, nunca voltaremos a ser como éramos, por mais que tentemos. O que é preciso é adaptarmo-nos a esse novo "eu", o que nem sempre é fácil, pois olhamos tudo de maneira diferente.
Encontra-te, a pouco e pouco, não te deixes ir abaixo por já não te conheceres, mas sim aprende a conhecer a nova Anete.
Desejo que tudo te corra pelo melhor, fico muito feliz de que tenhas aparecido, e não estranho nada se voltares a estar algum tempo ausente, eu compreendo perfeitamente os motivos. è preciso é que consigas os teus objectivos, para daqui a uns tempos a "nova" Anete entrar pelo blog cheia de força e certezas;)
Bjos
Cris

9/12/08 17:56  
Blogger Espaço do João said...

Voilá...
A nossa querida resolveu deitar para trás das costas um pouco das agruras da vida. Bem sentimos a tua falta. Não tenhas dó das ervas daninhas, espreme-as porque elas só querem o nosso mal. Não somos mais fracos do que elas, somos superiores á mesquinhês daqueles que nos repudiam. Saibamos superar e veremos as belas surpprezas que a vida nos proporciona. Não te deixes abater pela nostalgia, aprende a viver o dia a dia com a cabeça levantada. O ontem já foi. Fala com as tuas flores, tratas-as bem e verás a recompensa. O seu agradecimento mostrado na sua elegância, na sua formosura, no seu perfume, faz-nos esquecer muita coisa. A beleza está nos nossos olhos, na observação do que nos rodeia, no bem que nós fizemos, sem que para isso esperemos recompensas. Sabes que te conheço muito bem, tenho relido o teu outro espaço e, só não te conhece é que não quer. A tua infinita bondade , o teu frágil coração, o amor que erradias pelo próximo, a defesa das tuas crias, é mais do que suficiente para te conhecer por dentro e por fora. Tu és aquela MULHER que nem todos sabem reconhecer. Tens uma força hercúlea , superior à que o velho Arkimedes faz referência. Nós podemos testemunhar quanto tu amas a vida e os que te rodeiam. O caminho muitas das vezes é sinuoso mas tentemos contornar as falésias e as curvas perigosas. Recebe um abração dos amigos que muito te estimam. Fernanda e João.

9/12/08 23:28  

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